fotos:amaranta Krepschi
segunda-feira, 17 de maio de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
perder- se
Aqui o exercitar está em compreender todos os nossos predicados como impropriedades, abrindo assim as membranas que nos delimitam para a possibilidade, estabelecendo sem estabelecer um limiar que seja como uma aureola, na que todos os nossos predicados sao exterioridade e nossa singularidade é comum.
Volto para minha dança e a de Luciana. E agarro-me para começar à nossa volta a um trabalho de muita força enquanto estamos a afundar nas dinâmicas de perda na nossa pesquisa de movimento. O que é quando me perco dançando? Como é observar a Luciana se perdendo? A perda é um "que" ou é um "como"? Quando alguém assume o "estando perdido" na dança será que traz consigo a potência de nao dançar? Aí também surge esse limiar da pura exterioridade, Aí Luciana pode ser todos os seus predicados nao pertencendo, nao se identificando com nenhum deles. Está dançando com todos os seus predicados, mas se esqueceu deles, está sendo a possibilidade(potência) da perna com o chao, das mil pernas e só uma, dos seus olhos em branco olhando memórias... Gira e gira na coluna de madeira do estúdio e me gera essa confusao de quem nao sabe o que está fazendo, mas "está com" e desde meus olhos posso fazer comunidade com ela, posso estar com ela, aproximar-me e distanciar-me, nao discernir, amar o lugar.
Picinguaba, 30 de Abril de 2010.
domingo, 7 de março de 2010
último ensaio
Pergunto me o que cada momento dessa continuidade pede. O tal ajardinar. Acho que agora preciso regar as margaridas, a estrutura.
A busca de lugares para comunicar o que estamos a construir passo a passo. Nossas questões, interesses e crises. Um embrião que vai lá já para a criação de seus orgãos, de suas especificidades sem se deixar esquecer que poderia em qualquer momento ser todo o resto que não o define e o define ao mesmo tempo.
Uma estrutura. Um jantar. Esse momento da criação em que o convite está colocado, os convidados são quem quiser aparecer. Compartilhamos sabores. A apresentação de cada prato também é importante disse ontem a ibon. Para mim agora está sendo a linha de ligação na continuidade.
Praticamente é assim. A célula e sua especificidade.As trajetórias.
Estivemos dançando entao durante trinta e dois minutos. Dançamos com nossos scores, sem pensar muito em uma estrutura definida, mas sabendo por onde íamos passar, começando na mimesis.
Foram doze minutos de mimesis. Insistencias de ser, de revelar coisas que só com a idade vão aparecendo, como a formação da pele e as primeiras expressões móveis de um corpo. Surgiram muitos jogos no espaço, principalmente de distância e proximidade. Estar perto e longe. O uníssono que é um uníssono do som, da luz, da arquitetura, de memórias nesses tais transitos. Pertinhos, diagonais.
Talvez um preludio de organização estrutural e estabelecimento de linhas nesse score.
Depois uma transição incrível para leitura e dança. Da mimesis dessa leitura, de uma leitura juntos, o movimento das palavras do ibon(o livro era o profanações, agamben)no meu corpo, nas qualidades. A voz e uma entonação em uma qualidade específica que insistiu, virou lu. Pausa. O ibon pega a qualidade. Troca de qualidades. Durou pouco tempo. Achamos que se calhar era bacana deixar sua vida um pouco mais longa. Quatro trocas, duas em cada um. Outro vislumbre de uma organização estrutural da urgencia da comunicação.
Seguimos e dependentes demais um do outro sempre, fomos encontrar as individualidades quando dançamos juntos em contato. Eu numa qualidade, ibon em outra. Desajustes que no espaço e na dança revelavam essa independencia quando supostamente deveríamos estar em dependente conexão. Ambos achamos interessante trabalhar mais a fundo isso.
Só para dizer que se calhar é no próprio caminhar e continuar a caminhar, no próprio tornar-se fígado, coração, orelha, que vao surgindo os alinhamentos e as questões vão transformando-se em outras, nessa insistencia de ser sempre questão.
É bom saber que há um lugar para voltar.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
20 dias em são paulo
Ultimamente estou retomando a lectura dos primeiros textos da “comunidade que vem”, e para minha sorpresa estan se ligando entre eles de una “maneira” nova, num manare diferente. O que quero dizer agora nao esta ligado precisamente a isso, estou a pensar numa das conversas que tivemos neste ultimo laboratorio com a lisa nelson. Eu fiquei com a questao que ela propuis em varias rodas de compartilhamento que era: observa o movimento de tuas atençoes encuanto estas atento(aware) ao que outro esta falando na roda; observa como se compoe teu pensamento enquanto estas pensando, que atençoes transitan. Ela propus um dia aquele exerciço que também fiz com nos no c-e-m que era feixar os olhos e imaginar-nos dançando durante 1 minuto… no dia siguinte numa roda pidio que relataramos aquela dança em fala, e dai ela pidio que observaramos como construiamos um pensamento da memoria do dia anterior, e qual era a maneira de compor esse pensar no agora. Nestes movimento que planteo a lisa a mi se me abriu certa percepçao, como certo jogo infinito, acho que voçe va reconhecer, estaba falando depensamento do pensamento ou potentia potentiae (bartebly).Como penso meu pensamento, nao é algo magico nem ninguma essencia e algo que aconteçe nesse nao destinar o pensamento para o acto. Que se eu, me perdi um vocado. Mas para min é como se uma brecha se abrise quando percebo a posivilidade de estar “aware” de meu pensamento, de observar isse coreografarse das atençoes, esse compor-se e descompor-se com o ambiente( ela a lisa falo que o 95% das opçoes vienem do ambiente), e uma outra maneira de “estar com” na qual eu observo quais sao os meus padroes de me relacionar(compor, pensar) com o entorno, quero dizer, que estrategias adopto na hora de recriar(compor) a “minha realidade”. E neste vies fico uma frase da lisa: entao faz sentido sintonizar meus sentidos para dar respostas e nao reacçoes a meu entorno.
Foi moito bom ver ela dançar em picinguaba, só dançou ums 5 minutos mas pa!tinha uma força, uma frescura, um estar lá implicito no olhar ou por asi diçer um rigor no seu perder-se constante entre a madera, a carne e u vento.
