sábado, 11 de fevereiro de 2012

Laboratório: “Feedback em Tempo Real”, 18/02/2012 (10h-13h)





O feedback em tempo real é um dispositivo que vimos utilizando em nossa investigação como evidenciador de nosso desejo no outro. Cada vez que damos um feedback em tempo real, seja este falado ou em movimento, observamos um rasgo na composição a decorrer que imediatamente dialoga com nossa presença. Neste laboratório perguntaremos como convivem dois momentos, dança e feedback. E como as hierarquizações e ordenamentos que costumamos estabelecer entre eles se indeterminam e se reorganizam.

Investimento: 20 euros
local: c-e-m (rua dos fanqueiros, 150,1andar, Lisboa)

sobre as coisas que não se podem falar

Estamos a estudar já algum tempo o livro de Giorgio Agamben “O que resta de Auschwitz” , no qual ele esmiúça a questão do testemunho. O que é o testemunho, sobre o que esse testemunho pode falar, o que para ele é indisível, quais os lugares possíveis da fala de quem se propõe a testemunhar, que caminhos pode o testemunho percorrer. Auschwitz, parece ser o exemplo que demonstra um paradigma em que essa voz do testemunho não pode afinal testemunhar, mas apenas “testemunhar sobre um testemunho que falta", insistir na missão de lembrar que de fato não podem falar os verdadeiros testemunhos. Da vivencia da experiência nos campos, só quem poderia falar, seriam os mortos.  


Desde esse pensamento e associando-o a  um exercício de criação que a muito fazemos em nossas praticas e ensaios, o “exercício da descrição”, algumas conexões tornaram-se possíveis. Nos aproximamos de um corpo político, que fala sobre algo que experiência, porém nunca é capaz de abranger a totalidade dessa experiência, mesmo servindo-se de muitos caminhos, de diversas linguagens (fala, movimento, gesto, etc.) para alcançar seu objetivo, ou pelo menos insistir em alcança-lo.
O corpo que aparece com a história do testemunho e o “exercício da descrição”, é esse  que se diz a si próprio e imprime uma história e uma visão de ser do momento, que deixa um rastro de memória, que deixa no espaço e nos outros e em si mesmo essa possibilidade de brincar com um testemunho que não fala só do passado, mas que pode ser atemporal, na medida em que assume a transitoriedade do que conta e percebe que o momento de contar é o que importa, não o que se conta. Reconhecer esse compartilhar como uma ação que carrega em si mesma muitas incógnitas, que depende de seus interlocutores e chama-os a um esforço para tornar-se relação, para poder trabalhar o paradigma de se dizer o não dizível, como algo que pode transitar camadas que se dizem a si mesmas e são acompanhadas por escutas que não são só as que trabalham no ouvido interno. Um corpo político porque se aproxima das formas mais categorizadas de entendimento de si, reconhece-as e pode abrir-se a outras maneiras de entender-se no próprio movimento de desentender-se. Um corpo que utiliza e se faz comunicação no ato da fala (e da não-fala, essa “zona imprevista” onde emerge o testemunho), do movimento, no contar uma história, em uma imagem. Que coloca em si próprio a discussão das relações e não em um tema fora dele.

A proposta de trabalho que apresentamos então segue essa direção. Nesse momento nos interessa imensamente poder debruçar sobre esse material, questionando o sujeito que fala e que mediante o paradigma do testemunho busca outros sentidos no dizer em ato. Esta pesquisa teve seu começo em setembro de 2011 numa residência no Espaço AZALA na Sierra Alabesa (ESP), agora damos continuidade a organização de estes materiais en viés da criação de uma performance.


terça-feira, 15 de novembro de 2011



"tricksters ou vagabundos, ajudantes ou cartoons" 
Sábado 19/11, 17h30 no Tribunal da Boa Hora (Rua Nova do Almada)

domingo, 25 de setembro de 2011

1 ou 2 contentamentos comedidos

2. também veio a imensa necessidade de estar parado, dar abertura a esta frustração gigante que se avizinha, abrir a porta de verdade, abrir a porta a outra coisa, acumular forças sem as acumular, vão-se acumulando, ir parando, alentando-se como velocidade, como potencia, como grito. Tempo e tempo e tempo no tempo, e ter realmente tempo, desfrutar de ter tempo, odiar que o tempo se apodere da coisa, eu coisa no tempo, deixar de ser coisa e passar a ser tempo. Esse nada que brinda o espaço, o nada enchendo-se de movimento para nada, sem se fazer nada. Ou nada enchendo-se de aborrecimento, de nada que não precisa de outra coisa. É meu poço, meu túnel (gostaba de tirar fora o "meu"). É poço, é tunel. Observo-me decorando o nada com ornamentos, tipo gestos, acções, e ao me observar me estou pondo lá, já em algum lugar, e ao me observar esqueço-me de que poderia não... poderia não? Acaso se pode o não? (poderia não estar lá estando la?) É uma angustia para mim propor-me esse lugar, falar desse lugar para vocês palavras, e para vocês mais que palavras. Deixar de ser um lugar para ser olhado, ir deixando de ser lugar, deixar de ser lugar. Como aquela escrita microscópica de Walser que procurava ir sendo tão pequenina, mas tão pequenina que ia desaparecendo nos rumores e murmúrios que a desperteneciam. Rumores e murmúrios são assim coisas inclassificáveis que formam frases ultra complexas agarradas entre elas, ou línguas inteiras em andamento numa frequência no limite. Não gosto de ver meu limite na frustração, no desencontro, o limite acho também pode ser suave como a pele, será que pode ser? Hoje cortei-me no limite da frustração, cortei-me a pele, algo saindo para fora, as ambulâncias, a violência toda com sabor a sal. Nesse momento parei, deixei de estar lá e só então pensei depois que poderia estar lá. É sim, podia-se não. Outra arquitectura, geologia, fisiologia que não estaria a se olhar desde fora. Parar de fazer mas fazendo, fazer parado, só isso me ronda na volta, se foi embora a exposição, se foi embora a potencia, algo mais ténue, uma existência menos insistente em existir ou talvez hoje foi um dia muito difícil.

1 ou 2 contentamentos comedidos

Não sei se sou este que sou, começo a ver-me muito bem ordenado, como uma costura que vai direitinha na linha, qualquer coisa que tem que ser bem feita ou se não não merece, não sei se sou este que vou sendo, que quero ser ou me vejo ser. Me apetece mais desajeitado, me apetece mais a mão que vai até o fogo e afasta-se só quando com ele fala e queima-se um bocado e depois mão e fogo buscam água e as relações não são tão programáticas. Cada vez estou a ver mais dança que não dança ou será dança em todo lado? Vou perto do queijo e do figo como de mim mesmo, e deito nas minhas costas como se a cada momento pudessem não ser as minhas, fugir rapidinho, deitar-se fora do quinto andar e já era… o que me esta a acontecer é um corpo? São vários? Cabelo, mão, pés no chão, kunichi uno; eu sei que nada é meu (ou seja, o nada é meu também) despertencer, o corpo para ele próprio sem propriedade, estar assim, assim, assim, às vezes nele outras ao lado outras longe, nem dentro nem fora algo mais entre velocidades e lentidões... criação de espaços. Hoje quero estar desajeitado e meu corpo ajeita-se a cada momento, não me faz sentido fazer as coisas, mas a direcções e linhas mais fortes nascendo a cada lapso de consciência, o atuar da distracção também faz fazer sem ter que estar fazendo: a enérgica afirmação de que sou hibridação constante em andamento, sou e não sou, e também encapsulo num bloco hermético, fechando e dobrando dobra trás dobra em potencia. Contudo nesse hermetismo abre-se qualquer coisa entre as paredes e o adentro, comunicação acontece lado a lado, abertura e exposição e vida para diante.
Neste processo achei que poderia ir avançando aos poucos, pondo-me nú ou ao menos tirando para começar, uma camiseta. Estas palavras como o punho que se fecha será que vão da carne para o vento? A pergunta continua a ser sobre o corpo, com o corpo,,, eu os diria em plural,,, e desde aí eu considero energicamente a exposição, a procura desses lugares onde a pele se rasga, as cores se encarnam e algo vai num salto ao vazio. Corpo saindo do corpo, o não humano em nós mesmos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

muestra de proceso



Coletivo Qualquer: Ibon Salvador e Luciana Chieregati

invitam a la muestra del proceso :

“Sobre aquilo que não se pode falar”

Un momento de intercambio de percepciones para un comienzo. Hace siete días que vivimos en AZALA y levantamos materiales acerca de algunas cuestiones del lenguage. Nuestro punto de partida es el libro “Lo que resta de Auschwitz” del filósofo Giorgio Agamben. Una discusión acerca del lugar del sujeto, del no ser, del acontecimiento del hablar, contar, decir. Los movimientos desde la palabra y hacia la palabra, desde el gesto y hacia el gesto ¿No serán la misma cosa?

AZALA, 14 de Septiembre a las 18:30h.

www.azala.es

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

em residência

Azala Espacio

http://www.azala.es/es/