sábado, 9 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

documentação do processo "58 passos até entrar na vila" criação do coletivo qualquer dentro do Festival Pedras D'agua

ela corre com o eléctrico
passam carros vários muitos
não os vejo
vejo-os
procuro-os por entre as pessoas
(e no momento em que escrevo isto a cristina fala-me sobre a graça dessa procura)
braços graaaandes balançam
homem pára pausa anda frente
trás atrás de ibon
e continua caminho sombras no autocarro
ele pausa ela passa
e curva
dançam por entre danças outras
gesto que surge
e perna levanta
alguéns olham apressados
e continuam
ela entra
e sai
e entra na rua
espaço tão aberto onde tudo (se) passa
eles uma paisagem no meio de tantas outras
ele agarra mão dela
e o diálogo-discussão começa
som irritante do motor do carro aqui parado parou
caminham falando
gestos desenhando
aqui ainda chegam palavras...
ela pausa sem pausar e a pausa mexe
suspensão do momento é força
e desaparece
ele atira braço e segue junto a senhora que passa
é arrastado pelo grupo-maré
e volta
ela descansa no pilar do seu tamanho agachada

ele



ela

casal de meninos passam perto à minha frente

do outro lado são como quadros que surgem
e se desmancham
e surgem novamente
diferentes
e....

Mariana Santos

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"58 passos até entrar na vila"

O desmanchar contínuo de um lugar que abrange trânsitos ou os diferentes lugares que vão e vem com as pessoas.

Escolhemos este espaço diante da Farmácia, atrás da paragem de ônibus, do lado da igreja, na frente do Martim Moniz, que não tem limites claros e foge para cima das Escadinhas da Saúde, se vai lá com o transito dos carros e corre com pressa pela rua da mouraria.

Nuvens passam.

Andorinhas em linhas.

Pombos fazem ponto.

Caminhar e pausar, pausar e caminhar.

Passos na pedra.

A primeira camada é sobre as trajetórias, os deslocamentos das pessoas, aglomerações e dispersões que vão criando e desfazendo o espaço. Só depois emerge o gesto, as direções e volumes no corpo, o bater do sol, se é segunda ou feriado. Há pequenos encaracolamentos no recolher uma moeda que caiu, há sorrisos e um olhar que afina no céu lá onde o bico do prédio acaricia.

Estamos a pesquisar o dialogar do movimento com o movimento, os deslocamentos que se juntam a outros deslocamentos, o compartilhar de um espaço desde a prática de estar lá. Uma abertura para a existência. Um trabalho que aprofunda a escuta do aparecer do gesto e deixa que este leve (traga) algo à presença.