domingo, 23 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
texto para leitura comum sugerido por Paula Petreca
Corpo Cênico, Estado Cênico, Eleonora Fabiao:
http://www.scribd.com/doc/57479580/Corpo-Cenico-Estado-Cenico-Eleonora-Fabiao
pratica: dançar como estou seguido de escrita automática, 03/09/2012, l´mono, bilbao
luciana escreve acerca de ibon:
"o mesmo só que diferente. como sempre, como é. eu gosto da dança. sempre parto do que me apetece. meu olhar é disperso. apanha fluxos e pausas. as palavras, só as do final eu ouvi. o reto foi fluxo e pausa com muitas coisa no meio. tipo o espaço do fundo e nunca para além da bateria. tipo o tecido e a pele e uma composição qualquer que não interessava muito e não tinha porque interessar. para que pressupor que o que faço tem de interessar ao outro qualquer coisa? isso é impossível. possível na relação de desinteresses pressupostos e nunca de interesses dados como tal. filosofia barata. acho que a descrição com a dança que você faz é magnífica. não tenho medo pá! pá! pá! e o duo com o gato, a gata no cio. a bunda dela sempre para o ar. você sempre a dizer não. você e a gata.
luciana escreve acerca de luciana:
"pensar enquanto me movo. mover enquanto penso. permover mopensamiento. inventar palabras. hablar en otra lengua. intentar hablar en otra lengua. está bién el analise de lo que pasa encuanto se hace. o se hace analisando. la intimidad del movimiento con la palabra. cuando no hay separación. cuando hay un reconocimiento de cada movimiento y no un juzgar del acontecimiento. parece pensar-entre-mover-decir-delay. pero cuál és a diferencia del pensar, del decir y del bailar?parecen lo mismo pero está separados. o que cada palabra genera en la presencia de mi cuerpo? cuando digo suelo, pié, esquerda, derecha, tela... estoy confortable en un flujo del decir y no cuando hay una propuesta fija para el decir."
ps: abogamos por el uso del portuñol!
"o mesmo só que diferente. como sempre, como é. eu gosto da dança. sempre parto do que me apetece. meu olhar é disperso. apanha fluxos e pausas. as palavras, só as do final eu ouvi. o reto foi fluxo e pausa com muitas coisa no meio. tipo o espaço do fundo e nunca para além da bateria. tipo o tecido e a pele e uma composição qualquer que não interessava muito e não tinha porque interessar. para que pressupor que o que faço tem de interessar ao outro qualquer coisa? isso é impossível. possível na relação de desinteresses pressupostos e nunca de interesses dados como tal. filosofia barata. acho que a descrição com a dança que você faz é magnífica. não tenho medo pá! pá! pá! e o duo com o gato, a gata no cio. a bunda dela sempre para o ar. você sempre a dizer não. você e a gata.
luciana escreve acerca de luciana:
"pensar enquanto me movo. mover enquanto penso. permover mopensamiento. inventar palabras. hablar en otra lengua. intentar hablar en otra lengua. está bién el analise de lo que pasa encuanto se hace. o se hace analisando. la intimidad del movimiento con la palabra. cuando no hay separación. cuando hay un reconocimiento de cada movimiento y no un juzgar del acontecimiento. parece pensar-entre-mover-decir-delay. pero cuál és a diferencia del pensar, del decir y del bailar?parecen lo mismo pero está separados. o que cada palabra genera en la presencia de mi cuerpo? cuando digo suelo, pié, esquerda, derecha, tela... estoy confortable en un flujo del decir y no cuando hay una propuesta fija para el decir."
ps: abogamos por el uso del portuñol!
domingo, 8 de julho de 2012
Aparecimentos (3 textos de agora)
1. Aparecimento, a pergunta apareceu assim: de que maneiras denotamos um aparecimento? ao que na tentativa de responder isto foi aparecendo;
pensar o aparecer... eu não tenho o
controle sobre o que aparece, posso ter a capacidade de o ver, de ver esse aparecimento sem o presupor;
um não olha para algo, por momentos ve, e esse ver
ta relacionado com o que antes não podia ver - talvez olhaba mas não conseguia
ver -. O que veio se faz sempre onde não veio. Esse limiar que constantemente
exercitamos nas fronteiras do que sabemos, quer dizer, do que não sabemos é o lugar
do aparecimento, o que se faz ver que vaí vindo ao visivel desde onde nao se veia.
2. Corro, corre, correríamos, extendemos
as fazias em direcção ao ar e nesse instante uma pomba com bico alargado
entre-mexe fios perto de nossos cabelos…
logo ajuntamos, os ténis com os brincos, as camisolas na pedra, head-phones e
corta-unhas, uma gritaria de pequenos
gestos fazendo piscina no rio Tejo. E a
sangue escorrega corpo adentro pelos braços até a pontinha de todos os dedinhos
mesmo e já vai também pela nariz de
Maria de Nazare a fazer se pingo no chão
da igreja de São Paulo. Nesta ribeira quase não tem praia, os pés de novo vão
uns atrais dos outros, os outros atrais dos barcos: pulo, os olhos olham a
pedra, a borracha do sapato faz linha até que a perna toda sai do são encosta
no ar e gira a bacia com suas veias e cartilagos alborozando do prazer de se
contorcerem, um sorriso na boca é inmediato, o reflexo do corpo todo no vidro
do obnibus que passa, o braço esticando desde a medula, e a medula esticando
desde os neuroneos e os neuroneos trabalhando sem parar em um sonho,,, ahhhh
possa vida,,, os supermercados comenzam a desaparecer como aquelas pragas que
exterminao-se a si próprias.
3. Nao nos debe preocupar tanto o que pensa o publico, ou se gosto, ou tanto se comprendeu. Temos que rasgar algures nos mesmos, sendo que isso quer dizer rasgar o nosso tempo. De alguma maneira induzir a nossa praxis e pensamento a uma insistencia que nao tem mais certeza que a propria insistencia. Sendo que o existente, é (des)arraigado e elaborado nesse repensar as fraturas que acarretamos de nosso pasado se pensando com o potencial futuro no presente.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
algunos que hablan (varias linguas)
Nao he
podido construir nada homogéneo para mim, sempre todo parte da ideia de que
tenho uma vida, um carácter, qualquer coisa uma que se mantiene, que prosigue,
que as vezes se desequilibra mas enfim, sempre volta para a primeira substancia
unificada, eu, meu nome ou algo assim. Não posso com isso, la paulatina
destruição de mim mesmo que se pratica em mim quase que involuntariamente –
ainda que com minha permisao – não me deixa orientar-me, me parte literalmente
entre memorias que aparecem como fotografias, cuerpos presentes e edifícios que
solo capto superficialmente.
La cinta
transportadora que son mis passos, a observância imparável que é cada um dos
meus movimentos me deixa totalmente indefinido, sendo que a maioria das vezes
acho irrisório pensar que estou em um solo lugar. Esse lugar que sou eu próprio,
(?) não para de se mover e não o paro de mover e a noção de substancia que
tinha dele vai virando itinerância, uma parte de um camino en el que no puedo
nem suspeitar um começo, nem um final. Esto me desborda, um lugar tan cerca de
mim, tão cerca, que parecera que sou eu que levanto o braço, um lugar tão cerca
e que ainda assim não é meu, mas bem poderia dizer que eu sou dele. Um pequeño
observador, um documentador da própria vida de um mesmo, vida que não pertenece,
vida despojada de qualquer comprometimento com ela própria e ao mesmo tempo
caudal. Caudal de significâncias variáveis que não paran de formatar o que é o
mundo para essa vida apropriada em “eu”, que não pode mais ser apropriada a
não ser que o sea na linguagem.
Vamos nos
observar dizendo as coisas sobre as coisas, quero dizer vamos deixar que esse
despertenecimiento da substancia eu, do eu-digo, atravesse a barreira do
orgulho e o pudor para practicar essas palavras ditas de imposiveis, de vergonha,
de paradoxo… (cada dia aparece mais forte a vontade de escrever com o corpo na
rua)
Cuando digo
esto, hà qualquer entusiasmo que comença a parecer-se mais a uma angustia, uma urgência
do comprometimento. Lo azul viendo para a superfície das mãos. Essas mesmas
mãos, minhas e delas próprias, pessoais e estranhas nunca param de perpetuar um
dialogo com el mundo que não tem nada a ver com este, eu mesmo, que diz
mãos ou escreve sobre elas. A qualidade infinita que dez dedos articulados e
quarenta trilhoes de poros sensíveis – que não são científicos-explicabeis
porque ninguém preciso de ciência para saber que acariciar uma pele poderia
percorrer paisagems ou deixar a impressão em quem toca de um magnetismo das
células para alem de elas mesmas e muito aquém de dizer o que acontecia. Já que
a lenguagem naqueles momentos se féis mutua, e eu, a palavra não fazia parte.
Nasceu a interrupção! Nasceu o gap! a falha do homen com o homen, nasceu o vacio
da inexistência onde se fundam todos os posiveis. E isto, porque como bem falaba
um saxofonista imaginário que invento Cortazar, todo esta cheio de buracos.
Naqueles tempos esa frase da realidade cheia de buracos me fazia ver o abismo
através deles, qualquer massa escura, sobre a qual conformamos superfícies necessárias
para nossa supervivencia. Mas se olhasemos a posivilidade contingente que una
percepção esburacada da paisagem nos oferece, UM PODER NAO-SER DE CADA COISA,
podemos imaginar-realidades de buracos não abismados, se não, buracos travessia,
passagems abertas a cada olhar vertiginoso que pretendamos dirigir ao medo
primeiro de nos desapropriar do todo o que somos e nos circunda, de modo, a parar
de fazer um eu-mundo, ou em uma língua mais habitual um mundo próprio. Porque
isso não existe, isso é uma ficção de liberdade que constrói uma gaiola, é a
cobardia de todos nois, atar-mos todos os cabos da conciencia e não deixar ser
os locos, os vagabundos, transumantes, adivinos, bagos,
iluminados-sacerdotes-de-la-cachaça, pirómanos de monumentos, desnudos que correm
com a maior voluptia para mostrarse nas canchas de futbol. Issos, e os que viram
a cabeza de lado para trastocar a visão da rua, o decidiram por espelhos
deformes no banheiro, os que costuram a mão para fazer membrana e ser pato,
iguana marina, ornitorrinco.
Todos esses
que estão comenzando a aparecer e que para minha tristeza rapidamente virão
produto, foto-chapa sem integridade, algo mais especifico do género humano, um
freak mais a juntar na lista. Isso é decadente, todo e atrapado, colocado a
mostra, publicitado imediatamente. Como profanamos este improfanavel que hemos
criado? Como corremos em direcção a um lugar onde o homen-mulher não se cace a
si mesmo, se digitalize e ache que isso é suficiente, que por qualquier
identidade a todo movimento vertiginoso é suficiente.
Agora já
criei meu discursso, as linhas me estam propondo reconfigurar este papel,
corromperlo de insultos, deixar de explicar para ir sendo, romper o que aqui
vou dizendo pelo meio. Aparecer na grieta. Neste cartomante pequeno que nasceu
dentro de mim faz séculos. Esse velho pequeno, de barba apertada e figura magra
que sempre me tem paciência e sonrie sim sonido, o rosto dele-eu é um soriso
pícaro como se nada do que estou a fazer importara realmente, como se o único
alimento posivel fosse uma pêra cheia de agua e um olor a madera e bosque. Há
outros, e a outro eu que não é, assim, outro tão claro como esse velho, que é
raiva de tendões e ossos e mandíbula apertada, e algum ser que me faz ver-me
como cabos e arames, com um potencial de extensão absurdo e uma vontade inmensa
de me contrastar com a dureza de outros materiais. Ele permiteme atravessar
certas racionalizações do cotidiano, a dizer, aquela ridícula de caminarmos
pelos caudales que se formão entre arquitectura e fluxos de gentes. Eu amo.
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